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24 DE JULHO DE 2015 - Grupo de amigos com um respeitável desafio: percorrer cerca de 100km que separam a Praia de Iracema do município de Paracuru, velejando de kitesurf. Concentração no Aterro da Praia de Iracema para a largada do grupo.
 - JOGADA - 26JO0401  -  TALLES FREITAS

Pelos poderes do vento

bigkite-fortalezaSeria uma manhã comum de sábado, na Praia de Iracema, se não fosse a presença atípica de dezenas de pipas de kitesurfe compondo um belo cenário colorido. Aos poucos, o grupo, formado, entre outras profissões, por médicos, advogados e profissionais liberais, foi se adensando para um respeitável desafio: percorrer cerca de 100km que separam a Praia de Iracema do município de Paracuru, velejando.

O relógio já passava das 10h da manhã e, aos poucos, os primeiros desbravadores do mar ganharam o horizonte, dando início ao desafio, que desde seus primeiros metros mostrou que exigiria muito de todos os 37 participantes. Logo na saída, a médica Carol teve problemas na decolagem de seu kite, que teve todas as linhas emaranhadas por conta de um incidente.

Depois de precisar nadar até a praia e ter sua pipa resgatada por um amigo, Carol não entregou os pontos. Foi ao encontro do grupo que aos poucos ia chegando para o primeiro "pit stop" da travessia, na Casa dos Ventos, localizada na Praia do Icaraí. À medida que a turma chegava, a empolgação se espalhava entre todos pela superação da primeira parte do desafio.

Enquanto isso, Carol e mais um grupo de amigos usava toda a paciência &quot;tibetana&quot; disponível na difícil missão de desembaraçar as linhas. O tempo estava passando e os amigos se recusavam a sair sem Carol, que, por sua vez, estava determinada a cumprir mais uma missão impossível, que era fazer seu kite decolar novamente. Aos poucos o grupo foi partindo e depois de mais de uma hora de muito trabalho finalmente a pipa da Carol estava novamente tinindo com os fortes ventos da temporada.</p>

O grupo seguiu viagem até o Porto do Pecém, local marcado para a segunda e última parada até o destino final, o município de Paracuru. Por volta das 15h30, começaram a chegar os primeiros velejadores. Todos queriam ir até o fim e decidiram enfrentar o mais desafiador percurso da maratona, o trecho entre o Pecém e o Paracuru.

O vento já começava a cair e com ele também o sol. De certa forma, algumas pessoas com maior habilidade tendiam a se preocupar com os demais, fazendo com que o ritmo caísse um pouco, o que fez com que alguns tomassem a difícil decisão de parar. Um deles foi o Paulo, que ao se deparar com o pôr do sol estando ainda na altura da Lagoa da Taíba, preferiu ficar por ali mesmo do que acabar enfrentando a escuridão da noite que caía. Decisão sensata.

Lições

Há até bem pouco tempo atrás, as pessoas acreditavam que apenas atletas profissionais podiam ter um estilo de vida baseado na prática saudável e contínua de um esporte. Com a divulgação cada vez maior da importância do exercício físico, muitos passaram a incorporar aos seus hábitos práticas esportivas, fazendo com que isso se torne um estilo de vida. É o que acontece com o grupo que conhecemos.

Nenhum dos participantes é atleta profissional, mas todos encaram com muita seriedade o esporte que praticam, assim como fazem em suas diferentes profissões. Desafios são importantes para estender os limites. Quem não se desafia está fadado a viver em um mundo previsível, sem emoção, sem cor. Buscar estender os próprios limites, por mais difícil que uma situação possa parecer, pode ser um ótimo exercício para a vida de uma maneira geral.

Isso acaba se tornando uma ótima ferramenta para o enfrentamento de situações cotidianas que poderiam lhe tirar do sério, mas que, no final, se tornam aprendizados. Estes se expandem para as mais diversas áreas da vida humana.

Fonte: Diário do nordeste – George Noronha

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