Menu
marquesfilho1

Kitesurfista Marques Filho conta aventura de 325km por 30 praias do CE

marquesfilho1O analista de sistemas, empresário e kitesurfista Antonio Marques Filho, idealizador do projeto Bom Jardim Conectado, com atividades de inclusão digital de jovens e adultos na área do Grande Bom Jardim, em Fortaleza, descobriu no kitesurf uma forma de se relaxar do mundo dos computadores, em contato com a natureza. “Realmente consegui e hoje uso como minha terapia. Eu medito desde 2012 e o kitesurf pra mim é também uma segunda meditação”, diz. O que poderia ser apenas um lazer de fim de semana para diminuir o estresse despertou nele o gosto pela aventura. Depois de fazer alguns roteiros de 30 a 40 km pela costa cearense, encarou um trajeto de 325km, dos 580 km do litoral do Estado e pretende compartilhar com o público tudo o que aprendeu e descobriu. “Fizemos um vídeo do trajeto e estamos concluindo o site da expedição (Fortaleza-Jeri de Kite). Pretendemos disponibilizar no site (bigkite.com.br) todos os detalhes para os amantes de Kite Trip nacional e internacional que quiserem fazer esse percurso”, diz. Por e-mail, Marques contou mais sobre suas aventuras num kite sobre os verdes mares cearenses.

Agência da Boa Notícia ̶ Como você iniciou a prática do kitesurf? A quanto tempo?manfredspuckausemarquesfilho
Marques Filho ̶ Estava em uma viagem em São Paulo e conheci um alemão – Manfred Spuck Aus (foto) – que tinha uma escola de kitesuf no Cumbuco. Falei para ele que sempre tive vontade de praticar o esporte. Nossas praias aqui no Ceará estavam cheias de pipas voadoras conduzidas por crianças, mulheres e até senhores da terceira idade. Eu estava curioso para saber como eles andavam por cima d´agua. Ele me disse: “quando você voltar, vai ao Cumbuco e fala comigo”. Foi que eu fiz. Manfred me indicou o professor Ayo. Fiz uma aula experimental e falei: “eu quero”, contratando o curso de 10 horas. Depois de muita pesquisa, comprei meu equipamento e tive muita disciplina de ir todos os domingos praticar. Fiz isso uma temporada inteira de agosto a dezembro, quando os ventos na região ficam mais fortes e constantes. Em julho de 2013, iniciei o curso de kite no Cumbuco e aprendi “na selva”. Meu professor disse: “tem aula na lagoa, mas depois você precisa se adaptar com o mar. Aprendendo no mar já é a própria selva”.

Agência da Boa Notícia ̶ O que o motivou a praticar kitesurf?
Marques Filho ̶ Primeiro a vontade de praticar um esporte radical, algo que me desconectasse por total. Tenho uma empresa de desenvolvimento de software e fico muito tempo na frente do computador. Eu caminhava e, às vezes nadava, mas continuava com os códigos computacionais na cabeça. Meu amigo alemão disse que o kite te desconecta de tudo, você fica sozinho com a natureza (sol, vento e o mar). O kite te dá muita adrenalina por que você precisa alinhar corpo-mente para decolar. Foi buscando esse contato com a natureza que descobri a sensação de deslizar em cima d’água, sendo levado pela força do vento. Essa sensação que eu precisava para me desconectar dos números e regras de negócios que os softwares tanto exigiam. Realmente consegui e hoje uso como minha terapia. Eu medito desde 2012 e o kitesurf pra mim é também uma segunda meditação.

ABN – ̶ Como foram as primeiras aventuras no mar?
Marques Filho ̶ Depois que consegui ficar em pé na prancha e senti pela primeira vez a verdadeira sensação de deslizar sobre a água, achei que tinha encontrado o esporte ideal. Senti muito prazer em praticar. No início, entrava na água e esquecia de tudo, ficava em média de 2 a 3 horas no mar e sempre queria mais. Meu primeiro downwind (ir a favor do vento) foi do Cumbuco até a Barra do Cauípe (7km). Só eu e o mar. Cheguei lá quase à noitinha e um bugueiro me levou de volta ao Cumbuco. Esse pequeno percurso me motivou para algo maior. Em seguida fui para Jericoacoara e fiz de Jeri a Mangue Seco (9km). De lá para cá venho aumentando, gradativamente, a distância e tomei isso como desafio, de estar velejando em lugar diferente. Fiz Jeri a Camocim (40km), aí fiquei apaixonado pelas praias do nosso Ceará. Segui fazendo pequenas expedições de kite quando surgiu uma oportunidade de velejar com um amigo paulista, Emerson Ary, que estava indo de Natal, no Rio Grande do Norte, até o Maranhão. Em seu projeto de 1.000Km pela costa nordestina, o bugueiro que fazia o acompanhamento pela praia era Geules Costa, meu primo. Fizemos contatos pelo Facebook e encontrei com eles às 11h nas proximidades do Beach Park (Aquiraz) já com o kite pronto na água.

“Velejava em média seis horas por dia iniciando sempre ao meio-dia,

horário de vento, constante e perfeito no litoral do Ceará”

ABN ̶ Como foi feito o planejamento da aventura da Kite Trip por 30 praias do Ceará? Quantos dias durou a aventura? Como você dividiu o tempo em cada praia?
Marques Filho ̶ Aventura durou 4 dias (27, 28, 29, 30 de novembro 2014), percurso de 325km passando por 30 praias do Ceará, velejava em média seis horas por dia iniciando sempre meio dia, horário de vento, constante e perfeito no litoral do Ceará. O roteiro foi o seguinte:
1º dia – Beach Park até Paracuru – 6,5 horas de velejo – 95km: Beach Park – Porto das Dunas, Sabiaguaba, Praia do Futuro, Titanzinho, Iracema, Barra do Ceará, Icaraí, Cumbuco, Pecém, Taíba e Paracuru.
2º dia – Paracuru ao Icaraí de Amontada – 5 horas de velejo – 80km: Lagoinha, Guajiru, Flexeiras, Mundaú, Baleia, Caetano e Icaraí de Amontada.
3º dia – Icaraí de Amontada a Jericoacoara – 7 horas de velejo – 110km: Moitas, Torões, Almofala, Ilha do Guajiru, Aranaú, Barrinha, Preá e Jericoacoara.
4ª dia – Jericoacoara a Camocim 4h – 40 km: Mangue Seco, Guriú, Tatajuba e Camocim.

ABN ̶ Do que você precisou (transporte, hospedagem , equipamento, alimentação) na aventura?
Marques Filho – ̶ Um buggy, uma prancha, duas pipas tamanho 8 e 12, quatro diárias de hotel, em média R$100 a R$ 200 por dia, muitas frutas e um açaí, em dias de velejo comidas leves, jantava bem em media de R$ 25 tomava um bom café e não almoçava. Precisamos passar o buggy nas balsas em média cinco vezes, R$ 20 cada travessia.

ABN – ̶ Quem faz parte da sua equipe? Vocês registram tudo?
Marques Filho ̶ Eu e o amigo Charles velejando pelo mar e os outros três amigos filmando e fotografando. Fizemos um mapeamento completo da expedição, chegamos até fazer um vídeo sobre o percurso (

). No mapeamento, percebemos o roteiro completo do percurso, balsas, pedras, currais, escolas de kite, hotéis, alimentação. Fizemos muitas imagens pelo mar e por terra.

“Próximo ao porto do Pecém, segundo os pescadores, vivem muitos

peixes grandes e eu tenho muito medo de tubarão”

ABN – ̶ Muitos momentos de perigo?
Marques Filho ̶ Quando passamos pela complicada orla de Fortaleza, assim considerada pelos kitesurfista por apresentar o vento rajado (a barreira de prédios torna o vento instável para o kitesurf). Para não prejudicar a expedição passamos a 4 km da orla. Outro percurso complicado foi próximo ao Porto do Pecém (tivemos de entrar a 3km da costa). Não iríamos passar por trás do Porto e sim por baixo, como faz a maioria dos kitesurfistas da região. Mas na hora deu uma vontade e falamos “agora ou nunca”. Então fomos. Quando estávamos já bem perto, veio uma lancha, uma pessoa acenava com a mão, pensamos: “deve ser o barco da marinha, pedindo para a gente voltar”. Continuamos velejando em direção ao barco, chegamos bem perto, uma voz disse, “cuidado com as linhas, estamos pescando”. Rapidamente mudamos a posição do kite e seguimos em frente. O porto tem em média 3km de extensão, mais dois de proteção aos barcos. Nessa extensão, segundo os pescadores, vivem muitos peixes grandes e eu tenho muito medo de tubarão. Nesse dia, para aumentar ainda mais a adrenalina, perdi minha prancha por uns minutos ao lado do porto. Eu olhava para baixo e tudo muito escuro. Imaginava; “meu Deus deve ser um peixe muito grande passando por baixo de mim”. Não consegui ver o verde dos nossos mares. Eu pensei; “dessa não escapo, ele vai me atacar! com muito medo e tensão, consegui resgatar a prancha e comemorei bastante. Consegui olhar para trás e perceber que o escuro eram as pedras do porto e o movimento era a sombra do meu kite.

ABN – ̶ O que foi mais desafiante?
Marques Filho ̶ Passar por trás do Porto do Pecém. Não aconselho essa travessia, além da distância da orla, o kite pode cair e fica muito complicado o resgate. Passar por Fortaleza também deu um frio na barriga. Passamos a mais de 4km da orla, muito depois dos navios do Porto do Mucuripe. Imagem linda.

“Cumbuco é considerado o Havaí

brasileiro para o kitesurfista.”

marquesfilhoequipeABN – ̶ Que curiosidades você registrou no trajeto?
Marques Filho ̶ O mais vibrante foi quando passei por uma praia, próximo de Almofala. Tinha várias crianças jogando futebol na praia e, de longe, eu observei que eles pararam a partida para me observar. Eu me sentir um campeão. Nesse trecho eu estava sozinho porque meu amigo Charles tinha parado por conta da cãimbra no joelho. Virei a posição do kite e me aproximei das crianças. Passando bem perto delas, gritei bem alto; “um dia vocês vão sentir essa emoção também”. Os meninos não sabem, mas naquele momento senti a mesma sensação que Jesse Richman sentiu ao bater o record mundial em altura do kitesurf.

Vejam nesse vídeo:


Uma segunda coisa a destacar: eu não sabia o quanto o Ceará era lindo. Via muitos gringos falando bem do nosso estado, mas não entendia muito, descobri que era eu que não conhecia nossas praias. Fico feliz também em saber que o Cumbuco é considerado o Havaí brasileiro para o kitesurfista. Moramos aqui bem pertinho do paraíso, aprendi no Havaí Cearense!

ABN ̶ Que avaliação você faz das praias por onde passou em termos de preservação natural, poluição, ocupação por projetos turísticos, especulação imobiliária?
Marques Filho ̶ Avalio as praias limpas, muita ocupações em algumas, muitas praias ainda do jeito que a natureza deixou, parecem intocadas, muita beleza natural. Percebi muitos quilômetros de praias limpas. Já o sinal de telefonia celular é muito ruim em grande parte desse percurso. Vi também muitas pedras e currais, porto de pescadores, rios e manguezais, onde os velejadores precisam estar mais atentos para não sofrerem acidentes.

Em 2015 estamos sonhando em

velejar todo o estado do Ceará”

ABN ̶ A aventura teve patrocinadores ou vocês mesmo bancaram tudo?
Marques Filho – ̶ Não recebemos recurso. Na primeira viagem, fomos apenas descobrindo as praias, depois achamos interessante, tanto para os bugueiros de Jericoacoara como para os velejadores, que é possível ir de kite da capital até Jericoacoara. Por sinal é bem mais gostoso ir pelo mar. Já a segunda viagem foi para mapear os detalhes do percurso, ver custos… na terceira completei o percurso com mais segurança. Fizemos um vídeo do trajeto e estamos concluindo o site da expedição(Fortaleza-Jeri de Kite). Pretendemos disponibilizar no site (bigkite.com.br) todos os detalhes para os amantes de Kite Trip nacional e internacional que quiserem fazer esse percurso.

ABN ̶ Há planos de outras expedições?
Marques Filho – ̶ Em 2015 estamos sonhando em velejar todo o estado do Ceará, são quase 600km de costa, estamos abertos para dialogar, em busca de apoio para realização dessa nova expedição.

“Com determinação, é possível

chegar em qualquer lugar”

ABN – Você se inspira em alguém?
Marques Filho – ̶ Tive duas inspirações: a primeira foi ver a história Almyr Klink, o brasileiro que atravessou o Atlântico – da África a Bahia – em um barco a remo. A segunda foi ver Louis Tapper bater o recorde mundial de kite surfing, percorrendo 2000 km da costa brasileira. Eu me inspiro nesses dois até hoje. Eles provaram que, com determinação, é possível chegar em qualquer lugar, seja de canoa ou de kitesurf.

Fonte: Agência da Boa Notícia

Share this Post!

About the Author : bigkite

1 Comment
  1. martinez 22 de novembro de 2015 at 17:02 - Reply

    hellonice voyigu :-)

Leave a Comment

Your email address will not be published.

Related post

Translate »